Protetora cria página virtual para ajudar no resgate e adoção de animais

A postagem apareceu na página virtual há cerca de três semanas: oito cãezinhos filhotes foram abandonados em um pasto na zona rural de São João del Rei, em Minas Gerais. Não bastasse a fome e o frio que vinham sentindo, eles eram alvo de ameaças do responsável pelo local, que prometia queimá-los vivos.

Até a última quarta-feira, 24, eles seguiam sem lar e sob as mesmas condições. Mas ganhando simpatizantes e tendo fotos compartilhadas graças ao alerta da “Focinho Sem Dono”, uma página criada no Facebook há aproximadamente um mês com o exato objetivo de reunir histórias como esta e divulgar animais à espera de adoção responsável.

Em menos de 30 dias, pelo menos 50 cães e gatos, entre filhotes e adultos, foram anunciados. Ou seja, mais de um por dia. Parte já encontrou lar. Embora não seja possível apontar, com exatidão, o total. Algo que se explica pelo funcionamento aberto e colaborativo da Focinho Sem Dono. “São João tem animaizinhos em situação de vulnerabilidade em quase todas as esquinas. Alguns chegam a ser agredidos. E esse número só cresce. Da mesma forma, também não são poucas as pessoas com intenção de ajudar mesmo que temporariamente ou interessadas em adotar. A nossa página existe para conectá-las”, explica a idealizadora do espaço virtual, a bióloga Paula Cerâncola.

E completa: “O que fazemos é receber o material de divulgação, que pode ser foto ou vídeo, por exemplo, e colocá-lo no ar. Os interessados em adotar os animais nos procuram e, assim, são colocados em contato com o internauta que encontrou os animais ou, em muitos casos, os acolheu, garantindo teto, alimentação e cuidados médicos até que encontrem lares definitivos”.

Comunicação
Com isso, há um funcionamento simples: quem encontrar animaizinhos abandonados ou sofrendo maus-tratos pode entrar em contato com a página, via Facebook, enviando fotos. O mesmo vale para quem decidir acolher um deles por tempo determinado e busca uma solução prática para encaminhá-los. Foi por entender bem essa situação, aliás, que Paula criou a Focinho Sem Dono.

Moradora de São João del Rei há um ano, a bióloga já abrigou ao menos cinco cães em casa e usou as redes sociais para buscar interessados em adotá-los. Nessa jornada, esbarrou em dilemas e na lembrança de que, frequentemente, outros voluntários como ela passavam pela mesma situação. Daí o surgimento da Focinho Sem Dono, que serve como canal, também, para as associações de proteção animal na cidade. “Havendo um local que unifica mensagens como estas, a busca por quem adote os animais se torna um pouco mais prática e direcionada. Nem sempre o processo é rápido, mas a existência de um canal facilitador já é um alento”, lembra.

Doações
Ainda no início de maio, a Focinho Sem Dono ajudou a divulgar uma feira de adoção realizada no Centro de São João del-Rei pelo projeto de extensão Amigos de Quatro Patas, da UFSJ. E a ideia de um evento semelhante agrada Paula. “Quem sabe isso pode acontecer em algum momento. Podemos integrar entidades de proteção para isso. Mas por agora o foco tem sido na página em si e na vontade de vê-la crescer”, explica.

E há outras formas de ajudar a Focinho Sem Dono, além de curtir o espaço virtual, compartilhar conteúdos ou mesmo adotar um amiguinho de quatro patas. “Quem se interessar em doar ração e medicamentos pode ajudar as pessoas que se dispõem a oferecer tetos temporários aos animais. Profissionais veterinários também são bem-vindos, caso queiram apoiar”, encerra.

Para conhecer a página, basta acessar o www.facebook.com/focinhosemdonosjdr.

Fonte: Gazeta de São João Del Rei / ANDA

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