Sarcoma de aplicação: o tumor que pode se desenvolver em felinos após vacinas/injeções

Para manter a saúde dos animais domésticos, é necessário seguir o calendário de vacinas. O que pouca gente sabe, é que também é preciso estar atento à aplicação. Isto porque os pets podem desenvolver o chamado “sarcoma de aplicação” ou “fribrossarcoma”, um tumor maligno que em alguns casos resulta na morte do animal.

Os gatos apresentam maior predisposição a desenvolver a neoplasia no local de vacinas (procedimento que visa provocar a fabricação de anticorpos) ou injeções (técnica para se introduzir líquidos no organismo por meio de uma seringa).

A veterinária Ana Tourrucôo fez uma publicação sobre o tema, tendo como base o protocolo de aplicações criado pela WSAVA (The World Small Animal Veterinary Association). A mensagem já recebeu mais de seis mil compartilhamentos.

Responsável por uma clínica com especialidade em Oncologia em Caxias do Sul (RS), que leva seu nome, a veterinária enfatiza que o desenvolvimento do tumor não é raro. Conforme a postagem, a divulgação foi motivada pela quantidade de casos atendidos na clínica.

“As vacinas, por terem que passar por um processo de formação de anticorpos, podem resultar em uma inflamação natural. Porém, sabe-se que as aplicações de qualquer medicação podem promover o aparecimento de um fibrossarcoma. Temos que ter bom senso com relação aos locais de aplicação”, destaca.

Segundo a mensagem postada no perfil da clínica no Facebook, o fribrossarcoma de aplicação é um tumor maligno que pode ocorrer por qualquer aplicação subcutânea de medicações, porém, no caso dos felinos, as vacinas periódicas são os maiores fatores de risco devido a inflamação natural.

A veterinária comenta que a imunização deve ser orientada ao paciente com base nas condições em que vive e ao risco de exposição aos patógenos (agentes causadores da doença).

“Não somos contra vacinação de felinos, pois elas são de extrema importância para a saúde preventiva de algumas doenças, mas é importante salientar que não existe fórmula ou programa de vacinação universal. Há mais de uma década a WSAVA criou um protocolo de locais de aplicação que determina que as vacinas sejam feitas nos membros e na cauda. Assim, se o felino desenvolver a doença, pode passar pelo tratamento com maiores chances de cura”, explica.

A advogada Roberta Silva perdeu seu amigo Mussa para o câncer e relata a experiência na postagem. O gato precisou ter a morte induzida no dia 22 de abril deste ano. “O câncer não doeu só nele. Sofri muito quando o perdi”, comenta.

Roberta diz que o felino já era relativamente idoso, quase 12 anos, e a veterinária responsável não a orientou quanto ao fato de que alguns gatos poderiam desenvolver a resposta inflamatória exacerbada. “O caroço ficou bem no lombo dele, pois vacinaram na região lombar”, destaca.

Na tentativa de tratar a doença, o felino passou por três cirurgias e Roberta chegou até mesmo a mudar de veterinária. Quando o amigo peludo começou a miar e berrar de dor, foi necessário fazer a pior escolha de sua vida. “Se tivessem pelo menos vacinado na extremidade da pata dele, ele não poderia estar vivo hoje? Só tenho a lamentar por todos os veterinários que terminam a faculdade e não procuram se reciclar e estudar, que tem medo do que é novo e preguiça de aprender e estudar”, pontua.

Precedentes
Chefe da equipe de Medicina Felina da VetMasters, o médico-veterinário especialista em felinos Archivaldo Reche Junior afirma que a maior parte dos estudos epidemiológicos sobre o sarcoma no local de aplicação em gatos mostra que as vacinas com adjuvantes são as mais propensas no desenvolvimento da neoplasia, como vacina quíntupla e antirrábica.

Reche Júnior detalha que qualquer medicamento injetável pode desencadear o aparecimento do sarcoma. “Existem relatos de gatos que desenvolveram sarcoma no local de aplicação de insulina, antibióticos, anti-inflamatórios e, até mesmo, no local de implantação de microchip”, ressalta.

O veterinário afirma que o sarcoma no local de aplicação pode surgir desde 3 meses até 10 anos após a aplicação da vacina ou do fármaco. Neste cenário, para descobrir se o felino está com a doença, o tutor deve estar atento a qualquer nódulo que se desenvolva na região abaixo da pele. “A detecção precoce do sarcoma pode representar a cura ou ganho significativo na expectativa de vida do gato”, diz.

Sobre os estudos recomendando a aplicação das vacinas nas patas traseiras ou no rabo, Archivaldo diz que este tipo de conduta é totalmente válido para facilitar a abordagem cirúrgica, em um eventual caso de desenvolvimento da neoplasia. No entanto, segundo ele, isto não quer dizer que a vacinação nestes pontos tenha a finalidade de evitar o sarcoma, como alguns tutores costumam pensar.

Fonte: A Crítica / ANDA

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