A escolha de um animal de estimação vai muito além da estética. Segundo a médica veterinária Mabel Vaz, encontrar o pet ideal exige uma análise criteriosa sobre o temperamento do animal, suas necessidades de higiene, nível de atividade física e, claro, o espaço e tempo disponíveis por parte do tutor. Existem diversas raças de pequeno porte, cada uma com particularidades que podem ou não se adaptar ao estilo de vida de uma família.
Perfis de comportamento e características físicas
Entre as raças mais populares nos consultórios e pet shops está o Maltês. Conhecidos pela pelagem longa e lisa, que dispensa tosa mas exige escovação diária, esses cães são descritos por Mabel Vaz como inteligentes, afetuosos e expressivos. São excelentes companheiros para apartamentos, mas demandam interação constante; não gostam de ficar sozinhos e possuem energia de sobra para exercícios.
Outra opção para quem busca companhia constante é o Buldogue Francês. Sociável e carinhoso, ele é ideal para quem tem menos tempo para caminhadas longas, pois seu focinho achatado dificulta a respiração em atividades intensas. É um cão que adora colo, convive bem com crianças e necessita estar cercado por humanos.
Já o Lulu da Pomerânia, ou Spitz Alemão Anão, encanta pela aparência de “urso de pelúcia”. Apesar da fofura e da pelagem espessa — que exige escovação diária —, é um animal sempre alerta, observador e que pode latir bastante. É gentil, mas a socialização desde filhote é crucial para a convivência com crianças.
No grupo dos cães cheios de personalidade, destaca-se o Yorkshire Terrier. Alegre e expressivo, cria forte vínculo com o tutor. Sua pelagem versátil permite diferentes tipos de tosa, como a higiênica ou a “tosa filhote”. Embora enérgico, não requer exercícios pesados. A educação precoce é recomendada para controlar o hábito de latir e facilitar a convivência com outros animais.
A inteligência é o ponto forte do Poodle Toy, considerado a segunda raça mais inteligente do mundo. Capaz de assimilar comandos rapidamente, é fiel e vive bem em apartamentos, demandando tosa a cada dois meses.
Para quem tem um estilo de vida mais caseiro, o Pug surge como uma alternativa dócil e silenciosa. Devido à braquicefalia (focinho achatado), que frequentemente causa roncos, ele não tolera exercícios intensos. É obediente, bem-humorado e raramente late sem motivo.
O Lhasa Apso, por sua vez, carrega um instinto protetor aguçado. Com pelagem longa e temperamento calmo, é desconfiado com estranhos e mantém-se sempre alerta, sendo um guardião fiel do seu tutor.
Por fim, não se deve subestimar o Chihuahua. Apesar de ser uma das menores raças do mundo, é ativo e possui uma coragem desproporcional ao seu tamanho, sendo capaz de enfrentar cães muito maiores na defesa de seu território.
A tecnologia como aliada na saúde preventiva
Independentemente da raça escolhida, quem convive com animais sabe que identificar pequenas alterações de saúde antes que se tornem problemas graves é um desafio. É nesse cenário que a tecnologia apresentada na CES 2026 promete transformar a rotina de cuidados, convertendo hábitos diários em dados úteis em vez de suposições aleatórias.
Conforme relata a jornalista Macy Meyer, do CNET, novas tendências de “Pet Tech” estão focadas no monitoramento contínuo através de câmeras e aplicativos. A premissa é simples: transformar a alimentação, a hidratação e o uso do banheiro em tendências observáveis. A empresa Petkit, por exemplo, apresentou dispositivos como o Yumshare Daily Feast, um alimentador automático para comida úmida que registra quem comeu e a quantidade, e o Eversweet Ultra, que monitora os padrões de ingestão de água de múltiplos animais.
Outra inovação é a caixa de areia Purobot Crystal Duo, capaz de monitorar a atividade e sinalizar mudanças fisiológicas importantes, como a consistência das fezes ou vocalizações incomuns durante o uso.
Benefícios e responsabilidade ambiental
O lado positivo dessa revolução tecnológica é evidente. Pistas precoces sobre a saúde do animal podem embasar decisões médicas melhores, algo especialmente valioso para tutores que trabalham fora ou viajam com frequência. Contudo, é fundamental lembrar que a tecnologia não substitui o médico veterinário. O monitoramento constante também pode gerar ansiedade se os alertas forem imprecisos ou excessivos.
Além disso, existe uma questão ambiental relevante. A proliferação de gadgets implica em mais plástico, baterias e lixo eletrônico. Ao aderir a essas tecnologias, recomenda-se buscar produtos duráveis, com opções de reparo e reciclagem responsável, resistindo à tentação de trocar de equipamento apenas pelo lançamento de um modelo novo.
O cuidado ideal combina informação de alta tecnologia com compaixão diária. Unir ferramentas de monitoramento a hábitos sustentáveis — e até mesmo escolhas veganas ou baseadas em plantas — pode ser o caminho para proteger tanto os animais quanto o planeta.